POLÍTICA ▸ CRISE DE CAIXA

Governador eleito Mauro Mendes já admite tributar agronegócio de Mato Grosso

O governador eleito Mauro Mendes (DEM) admite que analisa a possibilidade de vir as taxar o agronegócio como forma e aumentar a arrecadação do estado de Mato Grosso no próximo ano. O democrata frisa, entretanto, que a proposta ainda está sob análise de sua equipe de transição. 

Desta forma, ainda não há nenhuma definição quanto ao tema. "O governador eleito Mauro Mendes tem estudado e recebido todo tipo de sugestão sobre possibilidades viáveis para aumentar a arrecadação do Estado de Mato Grosso, a exemplo da taxação do agronegócio. Porém, ainda não definiu posição concreta sobre o tema", diz nota encaminhada ontem à imprensa pela assessoria de Mendes. 

Na última quinta-feira (29), a Assembleia Legislativa promoveu uma audiência pública para debater o assunto com representantes do setor. Estiveram presentes o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Normando Corral, e o superintendente do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (IMEA), Daniel Latorraca. “A discussão é necessária, precisamos colocar os números na mesa, sem polarizar a questão como se fosse um embate do campo contra as cidades, ou dos migrantes agricultores contra os nativos de Mato Grosso, somos todos irmãos”, assinalou o presidente da Famato. 

“Queremos saber de fato, com base em números, se estamos contribuindo muito ou pouco para o desenvolvimento de Mato Grosso”, completou, antes de passar a palavra ao superintendente do IMEA – este, por sua vez, apresentou uma explanação técnica em defesa dos produtores rurais. 

Conforme os dados apresentados por Daniel Latorraca, a imposição de mais tributos inviabilizaria o agronegócio em Mato Grosso. Na oportunidade, a maioria dos parlamentares se mostrou favorável a medida, tendo em vista a crise financeira do Estado e o crescimento da categoria a nível nacional. 

De acordo com o deputado Wilson Santos, o agronegócio precisa ser taxado para que Mato Grosso possa implantar políticas públicas que melhorem a vida da população. Segundo o parlamentar, a taxação representará um salto de qualidade na economia do estado. 

Santos também defende a industrialização como forma de diminuir a desigualdade social, agregar valor à produção primária, gerar emprego, renda e tributos. “A industrialização colocará Mato Grosso e nossa gente num outro patamar de qualidade de vida, com distribuição de renda mais justa”, afirmou o parlamentar. 

Na mesma direção, o deputado Eduardo Botelho afirmou que o agronegócio deveria contribuir mais para que Mato Grosso saia da crise econômica. Ele, no entanto, diz que qualquer medida que implique em maior oneração deve ser precedida de ampla discussão. E afirmou ainda que o setor precisa ser valorizado. “Não podemos assassinar nossa galinha dos ovos de ouro. Demonizar o setor? Jamais”, afirmou o presidente da Assembleia. 

Outro defensor da taxação, o senador eleito Jayme Campos afirmou que assim poderá ser gerada uma receita anual de R$ 2 bilhões para os cofres públicos de Mato Grosso, mas que isso só será possível com o fim de incentivos fiscais concedidos aos “barões do agronegócio”. 

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