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Extratos e conversas do Whats indicam devolução de VI para Wellaton

Documentos como extratos bancários e prints de conversas no Whatsapp mostram os valores da verba indenizatória (VI) supostamente devolvidos pelo ex-chefe de gabinete Jadson Nazário ao vereador Felipe Wellaton (PV). Jadson denunciou o caso ao Ministério Público Estadual (MPE) e à Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), que seguem ouvindo testemunhas.

O ex-assessor procurou o promotor de Justiça Sérgio Silva da Costa em 4 de junho de 2018, que considerou os fatos graves e encaminhou para investigação da Defaz.

Jadson prestou serviços a Wellaton por dois anos, sete meses e um dia, de acordo com informações prestadas pela Secretaria de Gestão de Pessoal da Câmara em maio do ano passado.

“Trabalhei com ele nos 45 dias de campanha com o compromisso de estar na equipe do gabinete. Era um trabalho voluntário, esse era o único compromisso”, diz.

Durante o período eleitoral de 2016, ele teria feito campanha com um carro registrado em nome da esposa, que teria sido registrado na prestação de contas a título de bens e serviços estimáveis.

Com o fim da eleição, os dois teriam ficado sem se falar até janeiro de 2017. No início de daquele mês, conta o ex-assessor, Wellaton o procurou para formação da equipe e lhe ofereceu a chefia. “A questão da VI vamos conversar depois, o gabinete vai ter custos”, teria dito o vereador na ocasião. “Desceu meio engasgado, mas até aí tudo bem, não estava certo (que teria de devolver)”, conta o ex-chefe de gabinete.

A cobrança efetiva teria vindo em 20 de janeiro de 2017, quando a Câmara depositou o salário referente a aquele mês. Jadson narra uma suposta discussão tida com Wellaton no carro a caminho de uma reunião, quando ele teria se negado a devolver o valor. Apesar de contrariado, Jadson teria feito pagamentos solicitados por Wellaton com a VI.

Depois do conflito com o parlamentar, Jadson foi exonerado da chefia e nomeado como assessor no gabinete. “Eu abria e fechava o gabinete todos os dias”, defende ao insinuar que continuava exercendo a chefia, apesar da mudança de cargo.

Ele diz ainda que Wellaton teria cogitado solicitar metade dos salários de cada um dos servidores do gabinete para custear despesas da atividade parlamentar e afirma ter sido questionado “por dois ou três se passavam para mim ou para ele (Wellaton)”.

Por um suposto erro, ou da Câmara ou do próprio gabinete, mesmo como assessor Jadson seguiu recebendo a Verba Indenizatória em sua conta. Nos dois meses seguintes, fevereiro e março de 2017, ele conta que sacou o dinheiro e tentou entregar a Wellaton, que solicitou novamente que ele seguisse fazendo pagamentos diversos.

Segundo narra Jadson, uma das conversas mostra o vereador elencando materiais de construção que seriam utilizados na reforma de um quiosque de açaí, de propriedade de Wellaton, no Parque das Águas, em Cuiabá.

"O material para o reboco e o piso queimado são 7 sacos de cimento, 5 sacos de sikal, uma caixa de xadrez verde dois rolos de fio flexível dois e meio, uma fita isolante e dois metros de areia lavada. E 10 metros de mangueira corrugada de 3/4. Diz pra ele falar com a vendedora Daiane Araujo na Todimo q ela q fez o pedido", diz o vereador na conversa.

Cerca de R$ 5 mil ainda teriam custeado a reforma do motor de uma caminhonete própria do vereador, também com recursos da Verba Indenizatória.

De acordo com Jadson, seu sucessor na chefia do gabinete, identificado como João Braga, teria transferido a ele o valor da VI referente a abril de 2017. O extrato de uma conta poupança foi apresentado como prova do recebimento e da utilização do valor para pagamentos diversos, supostamente a pedido do parlamentar.

Depois disso, o ex-assessor afirma que foi sendo deixado de lado nos trabalhos do gabinete até ser demitido em meio a uma leva de demissões na Câmara por corte de gastos, em setembro 2017.

Já em janeiro de 2018, Wellaton teria procurado o ex-assessor novamente para recontratá-lo. Por necessidade, conta Jadson, aceitou voltar ao cargo. “Ele chegou e me falou que eu não precisava ir lá trabalhar. Aí eu vi que não dava”, afirma. De acordo com a Câmara, a última exoneração do ex-assessor é de 1 de março de 2018.

Além do MPE e da Defaz, o vereador é alvo de uma representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. O presidente, vereador Vinícius Hugueney (PP), recebeu a defesa do parlamentar e analisa as medidas a serem tomadas.

Outro Lado 

O vereador classifica a denúncia como "denunciação caluniosa" e diz ser vítima "em um maldoso, malicioso e ardiloso esforço para calar minha oposição ao prefeito Emanuel Pinheiro e retaliar pelas denúncias que fiz durante todo o mandato".

Ele disse que se colocou à disposição da Justiça desde o início das investigações. Wellaton afirma que o ex-assessor não cumpria horários em seu gabinete e, por isso, foi desligado. Jadson teria dito que tinha carteira da OAB, mas não apresentou o documento. Os pagamentos feitos nos meses após a saída do cargo de chefia teria ocorrido por mero erro da Câmara, na versão do parlamentar.

Wellaton defende que os R$ 4,2 mil da VI servem para pagar custos com internet, mobília e computadores, além de combustível e estrutura para trabalhar e não são de direito do chefe de gabinete. O parlamentar ainda nega ter cobrado parte dos salários de quaisquer de seus funcionários na Câmara.

"O veículo consertado ficava à disposição do gabinete e foi utilizado durante todo o mandato pelos funcionários, incluindo o ex-funcionário aliciado para mentir; enquanto a Prefeitura de Cuiabá gasta R$ 6 milhões ao ano com a locação de 265 veículos, nosso gabinete não utiliza NENHUM carro alugado pela Câmara de Cuiabá - aliás, fomos contra a locação de veículos para gabinetes de vereadores", afirma.

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