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Escola de Várzea Grande realiza feira de cultura homenageando comunidade Mata Cavalo

A EE Fernando Leite de Campos, no centro de Várzea Grande, realizou a Feira Cultural Afrobrasileira que envolveu todas as 39 turmas da unidade escolar, que atende do sexto ano ao ensino médio. O evento, ocorrido na noite da última sexta-feira (30), marcou a apresentação final dos trabalhos baseados na lei 11.645/08, que prevê a inclusão da História da África e cultura afrobrasileira no currículo escolar.

Conforme a coordenadora pedagógica Alexandra Fernandes de Souza cada turma desenvolveu uma temática voltada para a cultura afro. Com isso, cada sala teve até três trabalhos. “Não é a primeira vez que fazemos um projeto baseado na Lei 11.645/08. Essa prática está se tornando tradição e a feira é um dos destaques em nossa escola”, comemora.

Além dos trabalhos apresentados em salas de aula, os estudantes fizeram apresentações culturais, principalmente danças, para toda a comunidade escolar. “Os pais foram convidados e vieram em grande número. É importante a participação de todos”.

Um dos destaques foi uma tenda tendo como temática o quilombo de Mata Cavalo dando ideia de como é o local. Estudantes do ensino médio conheceram in loco a comunidade, os moradores e também a sua cultura. Trouxeram vários artesanatos que foram expostos no evento escolar.

O professor de Artes Jonny Wesley, um dos responsáveis pela realização dos trabalhos, explica que os estudantes fizeram uma aula de campo no quilombo de Mata Cavalo, no município de Poconé (104 quilômetros ao sul de Cuiabá), onde visitaram também a comunidade de Mutuca.

Ele acrescenta que a viagem faz parte do projeto pedagógico escolar (PPP). “A aula de campo faz parte de nossas atividades, nosso calendário para trabalhar a cultura afro. É uma atividade que leva o aluno a conhecer na prática o que estudou em sala”, ressalta.

Para o estudante Jeferson Almeida, que participou da aula de campo, a experiência foi formidável. “Achei interessante a história deles no quilombo e como é o cotidiano da comunidade. Você chega num mundo que não conhecia, não via. A prática é outra coisa”, assegura.

A colega Keithlyen Elisa também considera a viagem ao quilombo como parte importante do aprendizado. “Foi tudo muito interessante. Conversamos com os líderes que nos deram muitas informações sobre a história de luta do local - que foi fundado por 13 famílias e hoje são 300. Eu fazia outra ideia do que era a comunidade”.

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