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Eliminada, Alemanha sofreu com choque de gerações, mas é forte para 2022

Atual campeã mundial, a Alemanha foi eliminada com justiça da Copa do Mundo. Perdeu para uma Coreia do Sul limitadíssima e fez um jogo apático, morno. Exceto Thomas Müller, parecia que o semblante dos jogadores em campo não se alterava. Mas longe de especular sobre o que aconteceu ou fazer terra arrasada sobre o excelente projeto alemão de formação de jogadores de alto rendimento, a ideia aqui é trazer alguns pontos que passam pela base e pelo surgimento de uma nova geração.

O primeiro deles foi o surgimento de uma arrogância futebolística, típica de campeões mundiais, e as circunstâncias do título alemão em 2014 acentuaram esse quadro. Não raros são os técnicos brasileiros de base que viajaram à Alemanha nesse período e se depararam com provocações de técnicos alemães, durante os jogos, com referências ao 7 a 1. Quando qualquer técniico arrota um "pentacampeão" em qualquer programa esportivo por aqui e repete a cantilena do "nós é que precisamos ensinar a eles", é visto como "deselegante". Com razão.

Os jogadores se contaminaram com a postura. O Brasil enfrentou a Alemanha no Mundial Sub-17 de 2017, e os relatos de alguns jogadores sobre os adversários batiam sempre: alemães são marrentos, antipáticos. O mesmo ocorreu no Mundial Sub-20 de 2015, em que a Alemanha fez uma grande campanha na primeira fase, mas foi eliminada por Mali nas quartas de final.

Até aí, tudo bem, futebol não é concurso de Miss Simpatia. Mas essa geração, vista como "cheia de marra", subiu com tudo para a seleção principal. Cheia de talento, foi vice-campeã olímpica. Mas Joachin Löw, talvez analisando que alguns nomes ainda não estão no nível de maturidade ideal ou estão abaixo dos campeões mundiais (Özil, Hummels, Khedira, por exemplo), brecou o avanço de alguns deles e lhes tirou a chance de seu primeiro Mundial.


Aqui se fala principalmente de Leroy Sané, o jogador mais habilidoso da Alemanha no um contra um, preterido por Löw para que o bom Julian Brandt fosse chamado. Mas se fala também de Julian Weigl, volante do Borussia Dortmund que fez falta, principalmente em um contexto no qual a transição defensiva alemã foi muito ruim nos três jogos e o time, sem a bola, foi sempre exposto.

Também é possível falar sobre o choque de gerações. De um lado, os campeões mundiais beirando ou passando dos 30 anos, já com a carreira ganha. De outro, garotos promissores de 22, 23 anos, ainda imaturos, em busca de afirmação internacional ou sequência na carreira em altíssimo nível. Faltaram os de 26, 27, 28 anos, esses que decidem Copa. E os relatos, embora seja difícil descobrir o que é verdade ou não, dão conta de um ambiente ruim resultante desse choque de gerações.

Resta, aos alemães, juntar os cacos e olhar novamente para o processo de formação de jogadores, que hoje foi ultrapassado pela Inglaterra em resultados, e também na qualidade técnica das equipes. Mas que ninguém se engane: com o devido bastão passado, essa geração será muito forte em 2022 e irá se reerguer tal qual a Espanha, porque talento e planejamento não irão faltar. Mas fica a lição de que boas escolhas individuais interagem com esse projeto coletivo, e de que as vitórias não surgirão no piloto automático só porque um trabalho espetacular foi feito lá atrás.

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