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Denúncia de tráfico de influência no CEM cita primeira-dama,vereadores e até deputado em MT

Áudios vazados revelam um esquema de venda de consultas, tráfico de influência de políticos e da primeira-dama Márcia Pinheiro para furar fila do sistema de Regulação do SUS, a contratação de profissionais apenas por indicação política, médico que recusa-se a bater o ponto, outros que batem o ponto e não trabalham e até venda de atestado.

O vereador Abilio Junior, que faz oposição ao prefeito Emanuel Pinheiro desde que veio a público o famoso 'vídeo do paletó', recebeu por WhatsApp a denúncia de irregularidades no Centro de Especialidades Médicas (CEM). Tornou-a pública em suas redes sociais, denunciou-a no plenário da Câmara Municipal nesta terça-feira (23) e enviou os arquivos de áudio para o Ministério Público de Mato Grosso.

Em um dos áudios (disponível abaixo), aparentemente gravado durante uma reunião no final de 2018, a coordenadora do CEM, Nadja Sartoreli, menciona vários políticos que encaminham listas de nomes para "pedir consulta" e furar a fila do SUS, como de uma assistente social "ligada há anos" ao deputado estadual Dilmar Dal Bosco, do assessor especial do gabinete do prefeito Ralf Leite, dos vereadores Vinícyus Hugueney (PP), Lilo Pinheiro (PRP), Sargento Joelson (PSC) e até da primeira-dama Márcia Pinheiro

"É de envergonhar a naturalidade que ela fala do assunto", disse o vereador Abilio Junior para o Caldeirão Político.

Nadja menciona na gravação que Ralf Leite envia com frequência listas de pacientes. "Não estou aqui para atender Ralf leite, o que ele está fazendo agora, mandando o assessor dele procurar Isabele. Você acha que é uma coisa certa isso? eu não acho. Pra mim ficar trabalhando pra político... e ainda é rolo, que eu sei que é rolo".

Em outro momento da gravação a coordenadora cita que a "assessora do gabinete de Vinícyus trouxe duas listas de consultas. Eu cortei ela porque sei que ela vende consulta'. Nadja queixa-se que mais tarde recebeu a ligação do chefe de gabinete da primeira-dama mandando que atendesse a assessora de Vinícyus e o gabinete. "Mas não tem no sistema, 70% é da central [de regulação do SUS] ", justifica a coordenadora, deixando implícito que os 30% restantes são para atender os pedidos de políticos.

Trecho da denúncia enviada ao vereador Abilio Junior, que será investigada pelo MPMT, menciona que as irregularidades continuam e até atestado médico é vendido por 120 reais. "Esta Nadja faz tudo para os vereadores, marca consulta libera exames e ainda tem genro dela Lucas que atua na central de regulação junto à direção ai fazem cada rolo lá recebem dinheiro pra liberam exames e cirurgias tudo isso Nadja e Lucas estão de férias curtindo praia na Bahia tá fácil de ganhar dinheiro nas custas dos doentes né! Averigua isso por favor até Dona Márcia. esposa do prefeito, sabe destas coisas já que ela pega dinheiro dos familiares pra liberar consultas exames até atestado pra da Psicologia estava vendendo por 120 reais estes dias" (sic).

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Os áudios, seis no total, já foram encaminhados por e-mail para o Ministério Público para que sejam tomadas as providências cabíveis. As gravações revelam de forma nua e crua como e quem pratica o tráfico de influência no Centro de Especialidades Médicas para obter vantagem política e até pecuniária.

“Não vamos ficar inertes a essa situação tão preocupante. Ali no CEM funcionam diversas especialidades médicas ou, pelo menos, deveriam funcionar. São especialidades como cardiologia, oftalmologia, pediatria. Enfim, são diversos serviços especiais que a população necessita, mas que padecem na fila do SUS (Sistema Único de Saúde) devido à má gestão da Secretaria de Saúde”, diz Abilio Junior.

O tráfico de influência é crime tipificado no Art. 332 do Código Penal, com pena de 2 a 5 anos de prisão e multa.

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