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Cardápio das semifinais do Paulistão vai do tatiquês ao lúdico em times imperfeitos

Debates contemporâneos levantam questão sobre a verdadeira essência do futebol. O tatiquês (sic) e o lúdico protagonizam duelo tolo. Ambos são ingredientes indispensáveis de um jogo cada vez mais complexo. Há muitos outros e se completam. As semifinais do Paulistão ofereceram o cardápio quase em sua íntegra.

Imperfeitos, os quatro grandes tiveram pontos fortes e fragilidades nítidas. A balança pendeu mais a favor de São Paulo e Corinthians do que para Palmeiras e Santos.

Nenhum deles apresentou repertório suficiente para materializar seus trunfos em vitória. Isso nos levou a deliciosas – para torcidas alheias – disputas de pênaltis. Já são cinco consecutivas no estadual: as duas semifinais e a final de 2018, e esses dois confrontos recentes.

Não houve, nesses quatro jogos, futebol mais bem praticado que o do Santos no Pacaembu.

Jorge Sampaoli e Fábio Carille estudam estratégias para vencer um ao outro desde o 1 a 1 no amistoso de janeiro. Na primeira fase, a opção do Corinthians por sufocar a saída de bola exigiu mudanças no sistema tático planejado pelo Santos. A superioridade da preparação de Carille não fez o placar se mover.

Na primeira semifinal, a anulação mútua limitou o jogo a uma insossa disputa por espaços. Na volta, Sampaoli posicionou os laterais Victor Ferraz e Diego Pituca centralizados na saída de bola, à frente da primeira linha de construção, e atacantes abertos numa etapa posterior para alargar o campo e criar espaços.

O massacre santista não se resumiu aos números, foi claro aos olhos até mesmo de Andrés Sanchez, presidente corintiano em “modo sincerão” ao resumir a partida.

Com estudo, é possível enxergar e explicar os mecanismos que fizeram o Santos tão superior. Para rabiscar a razão da classificação corintiana é necessário recorrer também ao abstrato.

O talento, os treinos e a sequência de sete anos como titular fazem de Cássio um goleiro capaz de produzir “injustiças”. Mas qual é a tática que tira o monstro da jaula em decisões? Quanto mais vale o resultado, melhor Cássio joga. Que tipo de força mental, de energia, o faz se agigantar nesses momentos? E como negar a capacidade do Corinthians de ter resultados melhores do que desempenho?

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