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A americana que fez doutorado em Cambridge sem nunca ter ido à escola

A história de Tara Westover poderia ser um conto de outra época. Mas, diferente disso, é uma narrativa real que envolve uma vida familiar conturbada, preparativos para "o fim da civilização" e uma corrida pela educação que lhe rendeu o título de doutora aos 27 anos de idade, na Universidade de Cambridge - uma das mais prestigiadas do mundo -, sem ter tido qualquer educação formal na infância ou feito o ensino médio.

Tara cresceu em Idaho, nos Estados Unidos, em uma família de sobrevivencialistas - como são chamados grupos ou indivíduos que se preparam para emergências em caso de possíveis rupturas na ordem política e social. Sua família via escolas como parte de um exercício de lavagem cerebral do governo a ser evitado a todo o custo e o resultado é que ela cresceu sem nunca ter pisado em uma escola.

Seu pai, obsessivamente independente, estocava armas e suprimentos, pronto para o fim da civilização e para se proteger de qualquer tentativa do Estado de intervir em suas vidas. E essa lógica valia até mesmo em casos de emergência, como quando, por exemplo, a família se feriu em um acidente grave de carro, mas evitou hospitais por enxergar os médicos como agentes de um estado maligno.

Também era um modo de vida profundamente controlador.

A família fazia uma interpretação fundamentalista do Mormonismo - movimento religioso restauracionista iniciado no século 19 nos EUA - e estabelecia regras sobre aspectos da vida de Tara, como o que poderia vestir, seus hobbies e seus contatos com o mundo exterior.

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