O deputado estadual Faissal Calil (PL) é apontado como o “braço direito” do desembargador afastado Dirceu dos Santos em um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na manhã de hoje (8), aponta que os valores movimentados no esquema teriam alcançado cerca de R$ 3,2 milhões.
As investigações tiveram início a partir de dados extraídos dos celulares dos alvos, relatórios de inteligência financeira e do compartilhamento de informações com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam que Dirceu dos Santos operava por meio de um complexo esquema de interposição patrimonial e financeira.
Conforme a investigação, o magistrado utilizava um operador econômico, identificado como o advogado Bruno Castro de Oliveira, e um parlamentar estadual de sua estrita confiança, apontado como Faissal Calil. De acordo com a PF, o deputado atuaria como seu principal braço operacional para o recebimento de vantagens indevidas, quitação de passivos familiares e realização de triangulações imobiliárias simuladas com terceiros, os chamados "laranjas". As condutas teriam o objetivo de conferir aparência de legalidade aos recursos obtidos de forma ilícita.
Vale lembrar que Faissal trabalhou no gabinete de Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018. Posteriormente, deixou o cargo para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Em entrevista à imprensa, ainda nesta segunda, o parlamentar negou qualquer envolvimento e afirmou que aguarda celeridade nas investigações para que o caso seja resolvido.
O aprofundamento das análises bancárias também identificou movimentações paralelas, incluindo depósitos e saques em espécie que ultrapassariam R$ 3,2 milhões. A investigação aponta ainda repasses sem lastro negocial comprovado, oriundos de empresas do agronegócio que mantinham litígios fundiários em tramitação no Tribunal de Justiça.
Apreensões
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar, buscas pessoais e medidas de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.
A operação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre a suposta comercialização de decisões judiciais e a prática de lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça.
Até o momento, foram apreendidos um relógio modelo Complete Cookie Monster 41mm 18K, da marca Rolex, avaliado em R$ 208 mil em sites especializados. Além do relógio, os agentes recolheram ao menos 11 canetas de luxo de marcas como Montblanc, com valores entre R$ 7 mil e pouco mais de R$ 11 mil.
Entre os itens apreendidos também estão um fuzil, um revólver, uma pistola CZ Shadow 2 e diversas munições.
O deputado afirmou que esses objetos não lhe pertencem e que não foram retirados de sua residência. Segundo ele, o único item entregue aos policiais foi seu telefone celular.
Operação Gemini
A operação recebeu o nome "Gemini" (do latim, "gêmeos"), em referência à alcunha utilizada pelo lobista e intermediário do esquema em sua agenda telefônica para identificar o operador financeiro do gabinete.
Segundo a Polícia Federal, o termo simboliza a relação de coautoria funcional entre os investigados. Conforme a apuração, enquanto um dos agentes atuava formalmente no exercício da jurisdição, o outro operava na esfera financeira informal, sendo responsável pela captação de vantagens indevidas, ocultação patrimonial e dissimulação de ativos de origem ilícita.
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