O deputado estadual Júlio Campos (União) minimizou o descontentamento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após nenhum representante ser convidado a discursar no evento oficial de inauguração do primeiro trecho da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo. A solenidade, realizada no último sábado (20), contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e gerou forte incômodo no presidente da Casa, Max Russi (Podemos), que classificou a exclusão como um desrespeito ao Poder Legislativo.
“Porque a festa foi mais do PT, do governo federal, do que do estado de Mato Grosso. Há de se reconhecer, tanto é que, pelo cerimonial, não constava, mas foi chamado o ex-governador Pedro Taques junto com o ex-governador Mauro Mendes. E, na oportunidade também, lembrando que eu também fui governador, me chamaram para compor, o que não estava previsto, tudo isso. Quem comandou foi Brasília, então não há por que reclamar. Eu acho que nem sabia se o presidente Max teria que falar também. Eu acho que não”, argumentou Júlio Campos nesta quarta-feira (24).
O parlamentar explicou que, por se tratar de uma obra com forte aporte de recursos da União, o Palácio do Planalto assumiu o controle total do palanque, blindando o microfone para lideranças locais e de centro-direita.
“Veja bem, o cerimonial foi da presidência da República. É uma obra da iniciativa privada, mas com financiamento do governo federal, por meio do BNDES, que foi o grande financiador. Porque a Rumo não tem recursos de R$ 5 bilhões para aplicar numa ferrovia. Pegou o financiamento, por isso o vice-presidente Alckmin esteve presente. Não constava a palavra do presidente da Assembleia. Somente um representante da bancada federal e o escolhido foi o senador Fávaro, que é o mais próximo do governo federal”, completou.
Apesar do tom realista sobre o domínio da esquerda no ato, Júlio amenizou os impactos institucionais e elogiou a cortesia do vice-presidente. Além disso, destacou que essas pequenas discussões não interferem na real participação da ALMT e dos deputados na realização da ferrovia.
“São pequenas coisas que não vêm diminuir o mérito da Assembleia Legislativa, que aprovou a lei criando a Ferrovia Estadual Vicente Emilio Vuolo. Então não vejo nada demais. O presidente Alckmin foi muito simpático conosco, nos tratou com muita fidalguia, sem política, mas há de se entender que todo PT, toda esquerda estava lá presente”, concluiu.
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