O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) Max Russi (Podemos) solicitou que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e a Polícia Civil iniciem uma investigação para apurar a suposta “lei do retorno”, após denúncias feitas pelo pré-candidato ao Senado, Antonio Galvan (Novo), sobre um esquema de devolução de parte dos recursos de emendas parlamentares por prefeituras do interior.
Russi cobrou que as denúncias sejam individualizadas, com a apresentação de nomes específicos de prefeitos e parlamentares envolvidos para que as autoridades possam atuar.
“Tem que dar nome aos bois. Quais são esses prefeitos? Eu acho que esses prefeitos têm que falar. Eu acho que o Ministério Público tem que tomar providência em relação a isso e também a imprensa. A imprensa tem que descobrir. Eu, particularmente, nunca vi um prefeito falar isso pra mim. Você pensar ou imaginar 50% de retorno, eu particularmente não acredito nisso, vou ser bem sincero”, declarou o deputado, em coletiva nesta quarta-feira (24).
A suposta denúncia teve origem em uma entrevista de Antonio à Rádio Cultura FM, na qual ele afirmou ter notícias de que prefeitos do interior estariam “com a faca no pescoço”. Segundo a denúncia de Galvan, haveria uma pressão para que as prefeituras devolvessem entre 30% e 50% do valor das emendas parlamentares recebidas, configurando um esquema ilegal de retorno de recursos aos autores das indicações.
Além de cobrar a apuração, o presidente do Legislativo demonstrou ceticismo quanto à viabilidade financeira do esquema citado por Galvan, argumentando que devido à alta carga tributária e aos custos operacionais de obras públicas, seria tecnicamente improvável a execução de projetos com apenas metade dos recursos originais, além de ressaltar a existência de mecanismos de controle e fiscalização.
“Eu não consigo, não entra na minha cabeça que seja possível isso. Porque existe Tribunal de Contas, existe Câmara de Vereadores, existe órgão de controle. Como que você vai fazer uma casa, um imposto de saúde, com 30% do valor? Aí tem o maior lucro da empresa, vamos colocar que a empresa ganha 5%, 7%, 10%. Ou seja, são 80%. Vou ser bem prático, não existe isso. Eu acho que é falácia”, ressaltou.
O parlamentar também fez questão de assegurar sua conduta pessoal, negando qualquer envolvimento em diálogos ilícitos com gestores municipais e reforçando que irregularidades comprovadas devem levar os culpados à prisão.
“Nenhum prefeito nunca falou isso. O deputado Max nunca teve nenhuma conversa nesse sentido com nenhum prefeito. Então, isso aí eu posso garantir. Se tem outros deputados, tem que apontar, porque a gente tem que tomar providência. Não pode aceitar isso não”, concluiu.
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